domingo, julho 28, 2013

A verdadeira história de Alice no País das Maravilhas


A garotinha que inspirou Lewis Carroll a escrever o clássico Alice no País das Maravilhas.


Em 1865 a primeira edição de Alice no País das Maravilhas foi lançada na Inglaterra, apresentando aos leitores um universo cheio de personagens curiosos, como o Chapeleiro Maluco, organizador de uma festa louca do chá, e a Rainha de Copas, monarca com predileção por decapitações. Mas de onde teria vindo a inspiração para a criação de uma história com elementos tão estranhos, como o gato que consegue desaparecer e um exército formado por cartas de baralho?


Além de referências ao contexto político da Inglaterra, como a relação entre a Rainha de Copas e a Rainha Vitória, alega-se que Lewis Carroll inspirou-se em pessoas que participavam de seu cotidiano, como Theophilus Carter, um vendedor de móveis excêntrico que é apontado como base para a criação do Chapeleiro.


Apesar de viver cercado por todas essas referências, não foi outra pessoa senão a menina Alice Pleasance Liddell, na época com apenas nove anos, quem inspirou o reverendo Charles Lutwidge Dodgson, nome real de Lewis Carroll, a criar a história.


A Alice real era a quarta filha do vice-reitor da Universidade de Oxford, Henry George Liddell, e seu primeiro encontro com Lewis Carroll ocorreu em 25 de abril de 1856, enquanto o autor fotografava a catedral de Oxford - a fotografia sempre fora uma de suas paixões. Deste encontro desenvolveu-se a amizade entre Carroll e a família Liddell - em especial Alice.


"Ele era encantado pelas meninas e Alice acabou tornando-se sua musa. Carroll foi muito criativo na relação com as crianças e adorava impressioná-las enviado a elas cartas malucas e inventando jogos de palavras, trocadilhos... Durante seu convívio ele contou dezenas de histórias a elas", diz Adriana Peliano, presidente da Sociedade Lewis Carroll do Brasil.


Durante uma travessia de barco pelo Rio Tâmisa Carroll, percebendo o tédio das irmãs Liddell, contou-lhes a aventura da jovem Alice, que após seguir um coelho apressado encontra o estranho País das Maravilhas. Para tornar a aventura familiar às ouvintes, ele utilizou elementos do cotidiano delas, sendo o próprio coelho um exemplo disso.


"Um dos aspectos interessantes da história é que ela não surgiu como obra literária, mas de forma oral", explicou Adriana. "Quando o livro foi publicado ele acrescentou novos capítulos, personagens, deixando a obra mais complexa." Graças a um pedido de Alice as ideias daquela tarde transformaram-se num manuscrito chamado Alice's Adventures Underground - As Aventuras de Alice no Subsolo, em tradução livre - e, posteriormente, originaram as duas obras que envolvem a menina: Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho e o Que Alice Encontrou Por Lá.


Esse manuscrito, um presente de Carroll à musa inspiradora, acabou sendo vendido por ela anos mais tarde, quando a já adulta Alice precisou de dinheiro para manter sua residência após a morte do marido. A cópia rendeu um total de £15.400 e atualmente está guardada na British Library, a biblioteca nacional da Inglaterra.


Apesar do dinheiro, ter servido de inspiração para um livro tão famoso não facilitou a vida de Alice Liddell. "A história foi criada para encantá-la, mas ela foi tragada para dentro desse contexto imaginário, mesmo sem ter nenhuma relação com os personagens", conta Adriana, acreditando que a Alice real teve de lidar com a expectativa que as pessoas tinham em relação a ela, uma pessoa comum que acabou associada a uma fábula.


Essa frustração é o ponto de partida para o livro Eu Sou Alice, de Melanie Benjamin, publicado pela editora Planeta do Brasil. "É como se fosse um diário da Alice, onde ela fala de seus conflitos em relação à obra", revela Adriana.


Alice Liddell morreu em 16 de novembro de 1934 aos 82 anos, enquanto sua contraparte literária continua cada vez mais viva no imaginário das pessoas.


A paixão do escritor por sua musa (O lado mais sombrio)
A personagem principal do clássico infantil de Carrol foi inspirada na pequena Alice Lidell, uma das três filhas de um líder religioso. A fascinação do escritor pela pequena teria começado ainda quando Alice tinha apenas 4 anos de idade, mas Lidell não era a única a sofrer o assédio de Carroll: um de seus hobbies era fotografar meninas seminuas. Apesar do consentimento dos pais das crianças e do escritor afirmar que só fazia as fotos se a criança se sentisse à vontade, o hábito (ou mania?) soava estranho e bizarro até mesmo para os padrões sociais vitorianos, em que meninos e meninas desde a mais tenra idade era tratadas como adultos.





A relação entre o autor e a jovem Alice nunca foi comprovada, mas o hábito de fotografar meninas nuas (não mostradas aqui) e escrever cartas para Alice traz uma sombra ao clássico literário. Nada que diminua o fascínio pela obra do autor, apenas gera mais polêmica e curiosidade.






Fonte: IG e Cidade Verde

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