segunda-feira, maio 22, 2017

Modelos e blogueiras mirins fazem sucesso nas redes sociais





Lulu Menezes tem 10 anos e 32 mil seguidores no Instagram. A blogueira ficou famosa quando percebeu que a rede social poderia servir de ferramenta para divulgar o que gosta. No início, a mãe Flávia Menezes não gostou muito da ideia, mas logo o excesso de pedidos a fez mudar de opinião e abrir o perfil da filha ao público.


Assim como Maria Luíza, muitas crianças usam a internet para compartilhar a sua rotina e, quando se dão conta, já estão no universo das celebridades mirins. Na Bahia, o conteúdo de moda infantil se destaca pela quantidade de crianças interessadas. A especialista Renata Pitombo explica que a moda pode influenciar mais os pequenos devido à relação com o impulso humano em modelar a aparência.


"E, sem dúvida, as crianças já estão sensibilizadas para essa questão da produção de si mesmo, pois nascem e crescem num mundo extremamente estetizado em que tudo gira em torno da imagem", analisa.


Algumas crianças começam a se destacar nas redes sociais por influência dos pais ou porque trabalham como modelos mirins desde cedo, mas, na maioria dos casos, a iniciativa parte da própria criança.  Maria Tereza Alvez, por exemplo, a Teka, escreve dicas de moda e beleza no Blog da Teka.


O crescimento de blogs e perfis infantis também acontece por que, hoje, as crianças se interessam mais por moda do que as gerações anteriores. "Justamente por estarem inseridas numa sociedade em que moda e beleza são reverenciadas", destaca Renata.


"Além disso, o próprio mercado se direciona cada vez mais para o segmento infantil, criando linhas específicas. Ao se verem representadas nas passarelas, as crianças se identificam e querem aqueles produtos para elas".


Renata explica que a internet funciona na mesma lógica. "Principalmente com os blogs que oferecem a possibilidade de exibição de um look próprio e da exibição de si, em uma plataforma que atinge muitas outras crianças que podem virar seus fãs".



A infância hoje


A participação cada vez mais ativa das crianças na internet tem mudado a perspectiva da infância na contemporaneidade. Com as redes sociais, elas mostram que são capazes de produzir conteúdo tanto quanto os adultos. A comunicóloga Renata Tomaz, que apresenta um longo estudo nessa área, explica que, quando as crianças mostram como pensam e o efeito que elas produzem, fica mais fácil compreender a infância.


"É o modo como a gente explica as experiências das crianças, uma construção. Quando a criança começa a produzir mais conteúdo e a participar mais intensamente, ela mostra como são os seus dias, o seu cotidiano e suas brincadeiras. Então, as práticas que estavam muito restritas à esfera privada são expostas no espaço público e passamos a considerar as suas vivências, o que é importante para elas e como podemos fazer para tornar essa infância melhor".


Pais monitoram


Os pais acompanham com cuidado tudo o que os filhos fazem e concordam que os estudos não podem deixar de ser prioridade. "Para eles tudo é uma grande diversão. Por isso, a gente tem que mostrar que, como estão em evidência, eles têm uma responsabilidade grande", afirma Cláudia Galheri, mãe de Lívia e Rafael. "Cabe a nós colocar os pezinhos deles no chão e explicar que isso é um mundo paralelo".


Para além do monitoramento dos pais, a psicóloga infantil Luciana Silva alerta que é importante também controlar o tempo de uso. "Muitos pensam que, se o filho está no computador, está seguro. 'A rua que é violenta'. A internet também traz violência. É uma ferramenta maravilhosa, mas, para que haja um bom desenvolvimento, a criança precisa de uma série de coisas que está perdendo, como brincar ao ar livre".


Apesar de ser uma escolha dos filhos, algumas mães comentam que ainda recebem críticas por deixar que eles usem a internet profissionalmente. "Sinto um preconceito real vindo de outras pessoas que dizem que são as mães que querem aparecer. Como se as crianças fossem exploradas. Claro que existe vaidade de certos pais, mas, quando veem a criança se divertindo, mudam de opinião", defende Cláudia.

















Fonte: A Tarde – UOL (reprodução sem fim comercial)

(Ter , 26/07/2016 às 07:16 | Atualizado em: 26/07/2016 às 08:18)

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